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INTRODUÇÃO
Esta é uma doença crônica de gatos semelhante à AIDS humana causada pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV). Embora pertença à mesma família do vírus causador da AIDS nos humanos, o vírus é altamente espécie - específico, ou seja, só se replica em células felinas. Foi descrito em 1986 por Pederson e colaboradores na Califórnia em gatos domésticos, e foi designado de vírus T - linfotrópico (FTLP), pois foi encontrado em células linfocíticas do sangue periférico de gatos infectados e por seu aparente tropismo por células T in vitro. Em 1989 houve os primeiros relatos em animais selvagens. Alterações relacionadas com um estado de imunodeficiência dos gatos foram associadas com a infecção pelo vírus T - linfotrópico (FTLP), e, após exaustos estudos clínicos confirmados, essa doença foi renomeada e hoje é conhecida como FIV. OCORRÊNCIA
Distribuição geográfica
A distribuição do FIV é mundial. Em pesquisa recente, realizada na Europa e nos Estados Unidos, com 52.597 gatos doentes, a maior prevalência dessa retrovirose foi observada na França, onde, de 9.951 gatos testados, 15,4% foram positivos para a FIV. Nos Estados Unidos, de 27.976 gatos testados, 7,4% foram positivos para a FIV. Em estudo realizado em Istambul, Turquia, encontrou-se a prevalência de 24,7% de gatos positivos para a FIV. Em Taiwan, a prevalência foi de 4%. No Japão foi de 6,3% de um total de 238 gatos doentes testados, e de 5,2% entre 326 gatos saudáveis testados. Na Tunísia, constatou-se a prevalência de 20,5%. Em Sidney a prevalência da infecção por FIV foi de 6,5 a 7,5% entre os animais doentes, 1,4% apresentou positividade para a leucemia, e 20,8% foram positivos para a FIV. No Brasil, um estudo clínico realizado com 401 gatos atendidos no Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, revelou 11,7% dos gatos infectados por FIV. Desses felinos, 83% dos positivos para a FIV estavam doentes. Um estudo realizado no município do Rio de Janeiro durantes os anos de 1998 e 1999, com uma população de 126 gatos, entre doentes e sadios, provenientes de trinta e cinco bairros do município, indicou que 16,6% dos animais foram positivos para FIV. Espécies Suscetíveis
Os indivíduos pertencentes à Família Felidae, tais como o gato doméstico, leão, tigre, onça pintada, leopardo das neves, leopardo e o lince-vermelho são aptos a contrair a infecção. Faixa etária
O FIV afeta gatos de todas as idades (a variação descrita é de dois meses à dezoito anos) no entanto, há uma maior incidência em animais com idade superior à cinco-seis anos de idade. Entretanto, no estudo já citado anteriormente, realizado no Rio de Janeiro, a faixa etária de onze a quinze anos foi significativamente maior nos gatos infectados pelo FIV, sendo a idade média dos animais positivos para esse vírus foi de 7,4 +/- 4,4 anos. Esse resultado permite-nos interpretar que a tendência da infecção em acometer animais mais idosos, justifica-se pelo longo período de latência característico dos Lentivirus. Distribuição Sexual e racial
Sabe-se que os gatos machos de vida livre constituem o principal grupo de risco, uma vez que a forma de transmissão mais comum é a inoculação do vírus pela saliva por meio de mordeduras durante as brigas territoriais ou para acasalamento. Não se observa predisposição racial para a infecção com o vírus da imunodeficiência felina. ETIOLOGIA
O vírus pertence à família Retroviridae, subfamília Lentivirinae e gênero Lentivirus. È envelopado, apresenta cerca de 100 nm de diâmetro, possui RNA fita simples positiva, contém a enzima transcriptase reversa que produz um DNA de fita dupla a partir do RNA de fita simples. Este DNA é integrado ao genoma da célula infectada onde funciona como provirus e pode tornar-se latente no interior da célula por um período de tempo indefinido. A expressão do genoma viral pode ser disparada por estresse e resulta em alterações das funções celulares, produção de novas partículas de Retrovirus ou a morte da célula. A maioria das características estruturais observadas nos retrovírus é atribuída às proteínas codificadas no gene gag. Essas proteínas são mais conservadas e, dessa maneira, agem como antígenos de grupo. Entre elas estão as proteínas da matriz, de capsídeo e de nucleocapsídeo. As enzimas transcriptase reversa e a integrase, fundamentais no processo replicativo, são codificadas pelo gene pol. O gene env codifica duas glicoproteínas de envelope: as glicoproteínas de superfície, responsáveis pelo reconhecimento de receptores de superfície celular, e nas proteínas transmembrana, que ancoram o capsídeo ao envelope viral e contém domínios responsáveis pela fusão de membranas celulares e virais. As glicoproteínas do envelope são determinantes específicos de tipo, exibindo alta variabilidade. A massa molecular das proteínas do envelope é: gp 100, gp 120 e gp41kDa, e das proteínas do núcleo é: p24, p14 e p10kDa. A massa molecular relativa da transcriptase reversa esta ao redor de 60 kDa. Outras proteínas de gp14, p50 e p30kDa podem ser detectadas como proteínas precursoras do envelope, do núcleo e da transcriptase reversa, respectivamente. Em uma infecção experimental, os primeiros anticorpos a aparecer na circulação foram os produzidos contra as proteínas p24, p41 e p50kDa do virion, seguidos de anticorpos contra as proteínas p10, p15 e p60kDa. Os anticorpos neutralizantes aparecem um pouco mais tarde contra as glicoproteinas do envelope de gp100 e gp120kDa. A transcriptase reversa do FIV comparada à transcriptase de outros Lentivirus, necessita do íon de magnésio e difere da transcriptase reversa do HIV, na seqüência primária dos aminoácidos, porém seus genes compartilham 40 a 65% de homologia genética. O FIV não tem relação antigênica com outros retrovírus, como o FelV, e é distinto de outros Lentivirus, exceto do vírus da anemia infecciosa eqüina, que em alguns testes demonstrou ter reações cruzadas entre suas proteínas virais e as do FIV. Oficialmente reconhecidas pelo ICTV (Comitê Internacional de Taxonomia Viral) as espécies do gênero Lentivirus que pode infectar os felídeos são três: vírus da imunodeficiência felina (FIV), cujo protótipo é a linhagem de Petaluma (FIV - P), isolada à partir de gatos domésticos; o virus a imunodeficiencia felina (FIV - O), isolado de uma gato-de-pallas (Otocolobus manul), um felino natural da Ásia central; e o lentivirus de puma (PLV), isolado de pumas norte-americanos (Puma concolor) (Barr et al., 1997; Carpenter et al., 1996; Hunter et al., 2000). Outros Lentivirus, como o FIV-Ple e o de leopardo FIV-Ppa, foram isolados de leões (Panthera leo) e de leopardos (Panthera pardus), respectivamente. Mas esses ainda não foram reconhecidos como espécies pelo ICTV. Existem cinco subtipos de FIV, denominados cepas (clades), A, B, C, D e E. Segundo Sodora e colaboradores (1994), o subtipo A foi isolado na Califórnia e no norte da Europa, enquanto o subtipo B tem sido encontrado nas regiões centrais e no leste dos Estados Unidos e nos países do sul europeu. O subtipo C foi identificado na Califórnia e British Columbia (Bachmann eu al., 1997; Sodora et al., 1994), enquanto os subtipos D e E foram isolados no Japão (Hohdatsu et al., 1996, 1998; Nishimura et al., 1998) e Argentinaq (Pecoraro et al., 1996), respectivamente. O vírus é muito instável fora dos animais e não sobrevive por muitas horas no ambiente; não havendo, portanto, a necessidade de um vazio sanitário na propriedade. É totalmente inativado pelo tratamento durante 10 minutos à temperatura ambiente por: desinfetantes domésticos a 10%, etanol a 50%, isopropanol a 35%, formol a 0,5% ou água oxigenada a 0,3% ou por extremos de pH. É inativado em líquidos ou soro a 10% pelo aquecimento a 56ºC por 10 minutos, porém o material proteináceo desidratado confere proteção acentuada. Os derivados do sangue liofilizados precisariam ser aquecidos a 68ºC por 72h para garantir a inativação do vírus contaminante. Os retrovírus são mais resistentes que outros vírus à radiação ultravioleta e raios-X, provavelmente pelo fato de possuírem um genoma diplóide. TRANSMISSÃO
O vírus está presente na saliva, sangue, soro, plasma e líquido cérebro-espinhal de gatos infectados. A transmissão natural do FIV ocorre principalmente pela saliva, através de mordidas, portanto os machos são mais acometidos que as fêmeas, em função do comportamento mais agressivo. A transmissão vertical, in utero e perinatal, também pode ocorrer. Os títulos virais no sangue e no leite são particularmente altos durante os estágios agudos da doença. A transmissão venérea é uma incógnita. O vírus foi identificado em amostras de sêmen de gatos soropositivos e assintomáticos. O FIV tem sido transmitido experimentalmente, porém em condições naturais, a transmissão venérea não é importante. A transmissão pode ocorrer entre felídeos selvagens e domésticos (transmissão interespecífica) sendo facilitada em espécies selvagens com maior potencial de migração, ou em situações e comportamentos que favoreçam o contato com gatos domésticos (espécies mantidas em cativeiro, por exemplo). PATOGENIA
O FIV causa uma síndrome de imunodeficiência em gatos domésticos, que envolve depleção de linfócitos T-helpers com receptores do tipo CD4+ (células renais Crandell felinas, linfócitos CD8+, linfócitos B, astrócitos, monócitos, macrófagos, células dendríticas), à semelhança da infecção pelo HIV.Além disso, tem-se susceptibilidade às infecções oportunistas e freqüentemente morte. O curso da doença induzido pelo FIV é longo, ou seja, o período decorrido entre a infecção e a morte geralmente é de vários anos. Após a inoculação, o vírus é carreado para linfonodos regionais e replica-se em linfócitos T. O vírus então se espalha pelos linfonodos do corpo resultando num aumento generalizado dos nódulos. Nesse estágio da doença, geralmente não é notado pelo proprietário a não ser que o aumento seja exagerado. Algum tempo depois, o gato pode desenvolver febre e uma queda na contagem de células brancas do sangue. Esse decréscimo é primariamente devido à falta de neutrófilos que são células que ajudam na defesa do organismo contra infecções bacterianas e à perda de certos tipos de linfócitos T-helper que são importantes em todos os aspectos da proteção imune. Com a evolução da doença, o animal pode desenvolver anemia. Acredita-se que o vírus seja englobado, processado e apresentado pelas células dendríticas aos linfócitos T CD4+ pertencentes aos linfonodos de drenagem, Pode ser que esta apresentação ocorra nos linfócitos T dos folículos corticais. O esgotamento e a disfunção das células dendríticas ocorre antes que se produza qualquer efeito nos linfócitos T. Após a infecção, nota-se uma diminuição lenta, porém progressiva nos linfócitos T CD4+ levando a uma diminuição da razão CD4+: CD8+, aumento da produção de interleucina-6 pelos macrófagos, ocorrendo também a hipergamaglobulinemia, devido ao aumento policlonal das células B. SINAIS CLÍNICOS
O curso clínico da infecção por FIV pode ser dividido em cinco estágios: Estágio 1 - Fase Aguda Nas inoculações experimentais do FIV verificou-se que a fase aguda se inicia em quatro a seis semanas após a infecção. Essa fase caracteriza-se por febre com duração de vários dias, leucopenia que dura de quatro a nove semanas. Entretanto, muitos gatos passam pela fase aguda sem apresentar sinais clínicos da doença. Ocasionalmente os animais apresentam celulite, anemia, diarréia e doenças mieloproliferativas. Este estágio é dificilmente diagnosticado. Estágio 2 - Fase de portador assintomático A maioria dos animais sobrevive à fase aguda da infecção e evolui para a fase de portador assintomático por um longo período de tempo (meses ou anos). A diminuição relativa dos neutrófilos, dos linfócitos totais e dos linfócitos CD4+, como também, a diminuição da razão CD4+:CD8+ e um aumento das células B estão associadas com os gatos portadores assintomáticos. Estágio 3 - Fase de persistente linfadenopatia generalizada Nessa fase, o paciente demonstra-se sadios apesar de ter linfadenopatia. Este estágio dura por meses ou anos, e se associa com sinais vagos da doença, como febrem inapetência, perda de peso e anomalias comportamentais. Estágio 4 - Fase do Complexo relacionado à AIDS (CRA) Os animais manifestam doenças de natureza crônica, tais como doenças dermatológicas, respiratórias ou entéricas. As gengivites, estomatites, periodontites tem sido os sinais clínicos mais comuns em gatos com FIV. Em um grau menor de freqüência, alguns gatos apresentam sinal de infecção no trato respiratório superior, perda de peso, otite externa, abscessos, feridas de difícil cicatrização, febre, diarréia, alterações hematológicas (anemia, linfopenia, neutropenia e trombocitopenia), neoplasias e doenças neurológicas. Doenças intraoculares associada à infecção por FIV incluem uveíte anterior linfocítica plasmática e glaucoma. Estágio 5 - Fase terminal - Síndrome da imunodeficiência adquirida Geralmente, após o quarto estágio, os gatos exibem a doença de forma progressiva e desenvolvem uma síndrome similar à AIDS humana. Alguns autores classificam os gatos infectados no quinto estágio quando estes desenvolvem enfermidades potencialmente letais como linfoma, insuficiência renal ou criptococose. Animais infectados com o vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e vírus da Leucemia Felina (FeLV) exercem uma influência muito mais severa na redução da expectativa de vida. Não se sabe ao certo se a relação do FIV com neoplasias ocorre devido à supressão da imunidade celular causada pelo FIV ou se ela realmente tem potencial para oncogênese ANATOMIA PATOLÓGICA
As lesões são verificadas principalmente na cavidade oral, trato respiratório, trato intestinal, pele e tecidos linfóides. Na cavidade oral, nota-se lesões histopatológicas que incluem ulcerações e erosões na mucosa com infiltrados plasmocíticos na submucosa. Macroscopicamente, encontram-se gengivites e necroses no tecido gengivo-alveolar. No trato respiratório superior, há predominância de resposta inflamatória evidente (edema e eritema). Já no trato respiratório inferior, existe pneumonia intersticial difusa não supurativa e abscessos pulmonares. Na pele, podem ser caracterizadas lesões profundas (foliculites e ulcerações). Os tecidos linfóides há evidente hiperplasia folicular, conjugada com folículos secundários (infiltração plasmocítica). No intestino, devido à desidratação e diarréia, é freqüente encontrar mudanças patológicas como perda de vilosidades e dilatação das criptas. Animais apresentam rins pequenos, infiltrações linfocitárias dos rins, pulmões e cérebro. Achados histológicos incluem hiperplasia dos centros germinativos nos órgãos linfóides, infiltração dos gânglios linfáticos por células plasmáticas e metaplasia mielóide do baço. DIAGNÓSTICO O diagnóstico de infecção por FIV é dado pelos exames clínicos e complementares. O diagnóstico laboratorial é feito principalmente por meio da detecção de anticorpos para proteínas virais. Métodos sorológicos diretos geralmente não são utilizados porque o nível de vírus circulante está abaixo do limite de detecção desses exames. Testes imunoenzimáticos e o teste de Western blotting também são usados, sendo que o resultado positivo no teste imunoenzimático deve ser confirmado pelo Western blotting pois esse detecta anticorpos para outras partículas virais.
A soroconversão ocorre geralmente de 2 a 4 semanas, ocasionalmente pode levar até 8 semanas, portanto resultados falso negativos em animais na fase inicial de uma infecção aguda devem ser considerados. Podem ocorrer também resultados falso negativos em animais na fase final da doença, onde ocorre imunossupressão. Resultados falso positivos ocorrem em gatinhos não infectados com até 6 meses de vida devido ao anticorpo materno. Nesses casos é indicado uma reavaliação desses animais com 6 meses para determinar um resultado verdadeiro. TRATAMENTO
Tratamento antiviral específico
O tratamento da FIV se limita basicamente a um tratamento sintomático que não elimina efetivamente as infecções e sim trata as infecções oportunistas. Ou seja, um gato q se infecta por FIV permanece infectado por toda a vida. As terapias anti - retrovirais atuais e futuros desenvolvidos contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV) podem ou não ser aplicadas contra o FIV. Tem-se experimentado algumas drogas anti - HIV atuais e essas são demasiadamente tóxicas nos gatos. O tratamento de gatos infectados com o FIV com o análogo nucleosídico azidotimidina (AZT), em 15 mg/kg via oral ou SC a cada 12 horas, tem produzido melhora no estado imunológico e regressão de estomatite. O AZT causa uma inibição da transcriptase reversa e pode também servir de substrato para a mesma, interrompendo assim a replicação viral. Mas o AZT pode causar anemia (devido à uma depressão da medula óssea) com corpúsculos de Heinz; logo, os gatos tratados devem ser monitorados através de exame de hemograma completo. Alguns gatos FIV positivos podem não responder ao tratamento com o AZT devido à mutação do vírus. O PMEA (9-(2-fosfonometoxietil) adenina) é também um inibidor da transcriptase reversa do FIV, empregado na dosagem de 2,5 mg/kg duas vezes ao dia. Estudos preliminares observaram que o PMEA é mais potente que o AZT, porém, mais tóxico. Além dos inibidores da transcriptase reversa, as pesquisas para o tratamento abrangem modificadores da resposta biológica, células alvo, bloqueadores dos receptores dos vírus, transplante de medula óssea e terapia genética. Tratamento de suporte geral
Outro tratamento se baseia em antibióticos, fluidos e um suporte nutricional; normalmente essa terapia é eficiente no inicio da imunosupressão, mas conforme a doença progride, esse tratamento se torna ineficaz. Corticóides quando utilizados juntamente com antibióticos tem-se demonstrado eficiente na redução da estomatite de gatos FIV positivos. Deve-se ter o cuidado de tratar cada episódio de infecção à medida que ele surge, utilizando uma orientação de cultura e antibiograma sempre que for possível, para que assim, o médico veterinário possa intervir com o antibiótico certo. Evitar uma exposição a outras doenças infecciosas devido à redução na resistência. Também é de extrema importância. È interessante evitar o uso da griseofulvina (droga contra dermatofitose), pois gatos com FIV apresentam risco elevado de neutropenia induzida por griseofulvina. Nos estágios terminais da infecção com FIV, o prognóstico quanto a resposta ao tratamento é ruim, conforme o indicado por uma anemia ou uma leucopenia persistentes, uma perda de peso severa ou sinais no sistema nervoso central. PROFILAXIA
Vacinação
Em 2002, foi lançada uma vacina contra o FIV pela Fort Dodge, e veio a tona como uma ótima solução para os felinos. A questão é que essa vacina ainda deixa a desejar em alguns fatores. A vacina foi produzida usando clades A e D. Isso quer dizer que o proprietário ao vacinar seu companheiro, terá a impressão errônea de que este último estará vacinado. Além disso, como o vírus da imunodeficiência felina é um retrovírus, possui capacidade recombinante entre os seus subtipos, criando novas variantes virais. Logo, para a existência de uma vacina efetiva, é necessário o conhecimento da prevalência dos subtipos virais nas regiões, já que a recombinação de subtipos é um fato confirmado (Siepel, et al., 1995). A vacina contra o FIV é inativada, ou seja, um adjuvante é adicionado junto ao vírus morto para melhorar a habilidade da vacina em estimular o sistema imune. Essas vacinas inativadas têm implicado no desenvolvimento de alguns tumores nos gatos, o que não é desejável. Gatos vacinados serão soro positivo em todos os métodos convencionais de detecção do FIV, isso significa que não é possível distinguir os animais vacinados dos não vacinados. Como profilaxia inespecífica, deve-se manter os gatos dentro de casa e castrá-los para diminuir a freqüência de brigas. Em relação aos felídeos selvagens, deve-se evitar o contato destes com gatos domésticos. Não se utiliza a vacinação, pela interferência do diagnóstico, mas em casos onde há alta incidência da doença, pode-se pensar em uma vacinação estratégica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FILONI, Claudia; CATÃO-DIAS, José Luiz. Infecções por retrovírus (FelV e FIV) em felídeos selvagens - Revisão - parte 1. Revista Clínica Veterinária, São Paulo, v. 54, n. , p.56-64, jan. 2005. Bimestral.
SOUZA, Heloisa Justen Moreira de; TEIXEIRA, Claudia Helena Reis; GRAÇA, Roberta Fraga da Silva. Estudo Epidemiológico de Infecções pelo vírus da leucemia e/ou imunodeficiência felina, em gatos domésticos do município do Rio de Janeiro. Revista Clínica Veterinária, São Paulo, v. 36, n. , p.14-22, jan. 2002. Bimestral.
REGGETI, F.; BIENZLE, D.. Feline Imundeficience Virus subtypes A, B and C and intersubtype recombinance in Ontario, Canada. Journal of General Virology, Guelph, n. 85, p.1843-1852, fev. 2004. |