INTRODUÇÃO A peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença viral imunomediada que, com poucas exceções, é fatal dentro de poucas semanas. A PIF é causada por uma mutação in vitro do coronavirus entérico felino, amplamente disseminado e levemente patogênico (TILLEY e NORSWORTHY, 2004).
Apesar do nome, as lesões da PIF não se restringem ao peritônio e existem formas com e se derrame da doença (BICHARD e SHERDING, 1998). A PIF pode ser efusiva caracterizada por efusões abdominais e/ou pleurais e não efusiva onde não apresenta efusão (TILLEY e NORSWORTHY, 2004).
DESENVOLVIMENTO
A PIF é uma doença infecto-contagiosa que acomete geralmente animais com menos de 3 anos e mais de 10 anos de idade. O vírus é transmitido pelas secreções orais, respiratórias, nas fezes e possivelmente na urina, e a infecção ocorre através da ingestão ou da inalação sob condições de contato íntimo (BICHARD e SHERDING, 1998).
O período natural de incubação da PIF é extremamente variável podendo durar dias ou semanas. 2 Inicialmente, os gatos apresentam sinais clínicos inespecíficos e não localizados, como febre, anorexia, inatividade, perda de peso, diarréia e desidratação (SOUZA, 2003).
A forma úmida (efusiva) resulta em lesões piogranulomatosas em um ou vários órgãos e na formação de um líquido efusivo na cavidade torácica ou abdominal (Figura 1).
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Figura 1- Presença de líquido na cavidade abdominal em uma necropsia. |
A forma seca (não efusiva) causa as mesmas lesões a órgãos, mas não ocorre efusão. Os órgãos mais acometidos são: rins, fígado, linfonodos viscerais, intestinos, pulmões, olhos e cérebro (TILLEY e NORSWORTHY, 2004).
O diagnóstico baseia-se no histórico, nos sinais clínicos e no grande potencial de exposição ao coronavirus, tendo como auxílio exames complementares associados ao exame histopatológico obtido pela biópsia ou eventualmente necrópsia (SOUZA, 2003).
O teste para PIF ainda não é realizado no Brasil, apenas nos E.U.A., e por isto tem um valor elevado (cerca de R$ 75,00 por gato em novembro de 2000, sem a coleta de sangue). O teste é feito pelo método da imunofluorescência indireta, testando a presença de anticorpos contra o vírus e quantificando-os (título de anticorpos). Animais com títulos superiores a 1:1600 indicam infecção ativa. Se esses animais tiverem sinais clínicos, devem ser submetidos à eutanásia. Animais com altos títulos e assintomáticos são portadores, devendo ser isolados e submetidos à tratamento para prolongar a sua vida. Os animais assintomáticos, mas com títulos suspeitos devem ser retestados periódicamente.
Uma vez constatada a doença, a expectativa de vida é de no máximo dois anos (nas formas mais suaves 3 da doença), mas geralmente é rápida e fatal, mesmo com tratamento de apoio (NEVES, 2003). O tratamento de gatos com PIF ocular podem responder a antiinflamatórios (drogas imunossupressoras como prednisolona e ciclofosfamida) e à corticosteróides (injeção sub -conjuntival pode ajudar no caso de envolvimento ocular). A PIF pode se caracterizar pela presença de uveíte necrotizante, piogranulomas (Figura 2), ao redor dos vasos que irrigam o olho, edema de córnea (ocorre em alguns gatos juntamente com uma leve cintilação do humor aquoso), descolamento de retina e hemorragias (MANSUR, 2003).
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Figura 2- Olho de um felino apresentando uveíte devido à PIF. |
Para melhorar a qualidade de vida: fluidoterapia parenteral, suporte nutricional, transfusão sanguínea e antibióticos (NELSON e COUTO, 2001). A prevenção seria através da vacina intranasal (16 semanas de idade) porém, esta está disponível somente nos E.U.A., e para o controle em criações é recomendado manter os soropositivos isolados (TILLEY e NORSWORTHY, 2004).
O prognóstico é grave, não existindo tratamento para a peritonite infecciosa felina.
CONCLUSÃO
A PIF é uma doença provocada por um coronavírus, onde sua principal porta de entrada é por via oral. A faixa etária mais afetada está entre os gatos de 6 meses a 2 anos, e os acima de 11 anos. 4 Os coronavírus vivem habitualmente no ''intestino dos gatos podendo mutar''; ainda não se sabe ao certo porque o virus muta, mas já sabem que existem fatores predisponentes, como hereditariedade, stress, estado de saúde geral do animal, entre outras coisas (SILVA, 2003).
Para uma forma agressiva e provocar a PIF através de um fator genético ou momento de stress. A sintomatologia da forma efusiva deve-se ao acúmulo de líquido em cavidades do organismo e na forma não efusiva a perda da visão, entre outros. Infelizmente não existe um tratamento eficaz, mas pode-se realizar a profilaxia que compreende na vacinação dos animais dos gatis.
REFERÊNCIAS
DAIHA, M.C. Peritonite Infecciosa Felina. In: SOUZA, H.J.M. Medicina e Cirurgia Felina. 1.ed. Rio de Janeiro: L.F. Livros, 2003. p.363-372. MANSUR, V. Edema e Reparo Tecidual em Córnea. Disponível em: www.medvet.hpg.ig.com.br/oftalmologia/edemareparocornea.html.
NEVES, M. Peritonite Infecciosa Felina (PIF). Disponível em: www.gatopersa.net/saude/saude_pif.htm.
NORSWORTHY, G.D. Peritonite Infecciosa Felina . In: TILLEY, L.P.; NORSWORTHY, G.D. O paciente felino. 2.ed. São Paulo: Manole, 2004. p.248-252.
SHERDING, R.G. Peritonite Infecciosa Felina. In: BICHARD, M.A.; SHERDING, R.G. Clínica de Pequenos Animais. São Paulo: Roca, 1998.p.105-111.
SILVA, J. E. P.I.F. Disponível em: www.catstop.hpg.ig.com.br/pif.htm.
WILLARD, M. Distúrbios do peritônio. In: NELSON, R. W.;COUTO, C.G. Medicina Interna de Pequenos. 1.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, p.371-375.